Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) anunciaram a descoberta de uma substância antibiótica inédita, isolada a partir de um fungo encontrado no solo da Floresta Amazônica, na região de Manaus. O composto, denominado amazocilina, demonstrou em testes laboratoriais a capacidade de eliminar três das superbactérias mais perigosas do mundo, todas resistentes a todos os antibióticos atualmente disponíveis na medicina.

As bactérias combatidas pela amazocilina incluem a Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenêmicos, o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e a Acinetobacter baumannii pan-resistente — três dos patógenos classificados pela OMS como de "prioridade crítica" na lista de ameaças à saúde global. Nos testes in vitro, a amazocilina eliminou 99,97% das colônias bacterianas em menos de 12 horas.

"Estávamos coletando amostras de solo na Reserva Ducke quando encontramos esse fungo, que batizamos de Amazomyces resistus. A substância que ele produz tem um mecanismo de ação completamente diferente de qualquer antibiótico existente. É como se a Amazônia tivesse guardado essa arma para quando a humanidade mais precisasse." — Dr. Henrique Cavalcanti, microbiologista e líder do projeto na FIOCRUZ

Corrida contra o tempo

A resistência antimicrobiana é considerada pela OMS uma das maiores ameaças à saúde pública do século XXI. Estima-se que 1,27 milhão de pessoas morreram em 2019 como resultado direto de infecções por bactérias resistentes a antibióticos, número que pode chegar a 10 milhões anuais até 2050 se novas soluções não forem encontradas. A amazocilina representa a primeira descoberta significativa de um novo mecanismo antibiótico em mais de 30 anos.

OMS pede acesso prioritário

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Dr. Tedros Adhanom, entrou em contato direto com o governo brasileiro para solicitar que a amazocilina seja disponibilizada sob licença aberta, permitindo que laboratórios de todo o mundo possam produzi-la a custo acessível. "Este é um bem da humanidade. A Amazônia pertence ao Brasil, mas essa descoberta precisa pertencer ao mundo", declarou Tedros em coletiva.

O governo brasileiro, por sua vez, sinalizou que pretende manter a patente sob controle da FIOCRUZ, mas negociar licenciamentos com países em desenvolvimento a "preços justos". Os testes pré-clínicos em animais devem começar no segundo semestre de 2026, com previsão de ensaios clínicos em humanos para 2028.

A descoberta reforça o argumento de cientistas que defendem a preservação da Floresta Amazônica como reserva de biodiversidade com potencial farmacêutico incalculável. "Cada hectare desmatado é uma biblioteca de medicamentos que queimamos sem ler", afirmou a Dra. Ana Lúcia Pires, ecologista da Universidade Federal do Amazonas.

*Com informações da FIOCRUZ, OMS e Nature Microbiology