O Brasil alcançou nesta quinta-feira (26) uma marca que parecia impensável há cinco anos: ultrapassou a China e se tornou o líder mundial em energia solar residencial per capita, segundo relatório publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA). O país atingiu 47 GW de capacidade instalada em geração distribuída, com mais de 4,2 milhões de residências equipadas com painéis fotovoltaicos.
O Nordeste é o grande protagonista dessa revolução. A região concentra 60% de todas as instalações solares residenciais do país, com destaque para os estados do Ceará, Bahia e Piauí. O alto índice de irradiação solar — entre os maiores do planeta — combinado com políticas de financiamento subsidiado transformou a região na "Arábia Saudita da energia solar", como classificou o relatório da IEA.
"O Brasil provou que a transição energética não é monopólio de países ricos. Com financiamento inteligente e uma população engajada, é possível liderar a revolução solar a partir do semiárido nordestino." — Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia
Impacto econômico
O setor solar brasileiro gerou 312 mil empregos diretos apenas em 2025 e movimentou R$ 58 bilhões em investimentos. Famílias que adotaram painéis solares registram economia média de 82% na conta de luz, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Em comunidades rurais do sertão, onde muitas famílias não tinham acesso à rede elétrica, os painéis solares representaram a primeira conexão confiável com eletricidade.
Reação da China
O governo chinês reconheceu a ultrapassagem brasileira, mas ressaltou que lidera em capacidade solar total (não per capita). O porta-voz do Ministério de Energia da China afirmou que "o Brasil fez um trabalho notável na geração distribuída" e que os dois países devem "cooperar para acelerar a transição energética global".
No cenário doméstico, o Ministério de Minas e Energia anunciou a meta de alcançar 80 GW de capacidade distribuída até 2030, o que colocaria painéis solares em aproximadamente 10 milhões de residências — cerca de 14% dos domicílios brasileiros.
*Com informações da IEA, ABSOLAR e Ministério de Minas e Energia

Comentários (2.847)