O Instituto Butantan, referência mundial em imunobiológicos, anunciou neste domingo (22) o desenvolvimento de uma vacina universal contra a gripe, capaz de proteger o organismo contra todas as cepas e variantes conhecidas do vírus Influenza — incluindo os tipos A (H1N1, H3N2, H5N1) e B. O imunizante, batizado de ButanFlu Universal, elimina a necessidade de revacinação anual, oferecendo proteção estimada de pelo menos 10 anos com uma única dose.

A chave do avanço está na abordagem adotada pela equipe de 38 pesquisadores: em vez de mirar nas proteínas de superfície do vírus (hemaglutinina e neuraminidase), que sofrem mutações constantes, a vacina ataca a proteína M2, uma estrutura interna do vírus que permanece praticamente inalterada em todas as variantes conhecidas. "Deixamos de mirar no que muda e passamos a mirar no que não muda. Parece óbvio, mas levou 15 anos para funcionar", explicou o diretor do Butantan.

"Esta vacina torna obsoleta a corrida anual para prever qual cepa de gripe vai circular. Com a ButanFlu Universal, uma única dose protege contra todas elas. É o fim da gripe como problema de saúde pública." — Dr. Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan

Resultados pré-clínicos

Os testes em modelos animais, publicados na revista Cell, mostraram eficácia de 98,7% contra 23 cepas diferentes de Influenza, incluindo variantes de alta patogenicidade como a H5N1 (gripe aviária). Os animais vacinados não desenvolveram nenhum efeito colateral significativo ao longo de 18 meses de acompanhamento. A fase de ensaios clínicos em humanos está prevista para iniciar em junho de 2026, com resultados esperados para o primeiro trimestre de 2027.

Impacto global

A gripe sazonal causa entre 290 mil e 650 mil mortes por ano no mundo, segundo a OMS. Uma vacina universal eliminaria não apenas essas mortes, mas também o risco de pandemias causadas por novas cepas de Influenza — cenário que epidemiologistas consideram uma das maiores ameaças à saúde global. A OMS classificou o anúncio como "potencialmente o maior avanço em vacinologia desde a vacina contra a poliomielite".

Grandes farmacêuticas internacionais, incluindo Pfizer e GSK, já manifestaram interesse em parcerias para produção em escala global. O governo brasileiro, no entanto, sinalizou que a tecnologia será inicialmente produzida e distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) antes de qualquer acordo internacional.

*Com informações do Instituto Butantan, Cell e OMS