Aparecido Silva, 34 anos, programador e morador do bairro Batel, em Curitiba, afirma que não ingere nenhum tipo de alimento sólido ou líquido calórico desde setembro de 2025 — há exatos seis meses. Segundo ele, sua única fonte de energia é a luz solar. Ele passa, em média, 8 horas por dia exposto ao sol, preferencialmente no Jardim Botânico de Curitiba, onde já se tornou figura conhecida entre frequentadores e funcionários.
O caso, que à primeira vista parece mais um episódio de charlatanismo pseudocientífico, ganhou contornos inexplicáveis quando a equipe médica do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) decidiu investigar as alegações. Após 47 dias de internação voluntária com monitoramento 24 horas por câmeras, sensores calóricos e exames diários, os médicos confirmaram que Aparecido não ingeriu nenhum alimento durante o período — e que todos os seus indicadores de saúde permaneceram rigorosamente normais.
"Eu não tenho explicação. Os níveis de glicose, proteínas totais, albumina, eletrólitos, hemograma — tudo normal. Ele perdeu 400 gramas em 47 dias, o que é estatisticamente irrelevante. Do ponto de vista médico, esse homem deveria estar morto. Ele está jogando futebol de salão às quintas." — Dr. Fernando Koenig, chefe da Unidade de Medicina Interna do HC-UFPR
A rotina do "homem-planta"
Em entrevista ao Diário Nacional, Aparecido descreveu sua rotina com naturalidade desconcertante. Ele acorda às 6h, bebe apenas água pura (sem calorias), caminha até o Jardim Botânico e permanece sentado ou deitado ao sol até as 14h. À tarde, trabalha remotamente como programador front-end. À noite, dorme entre 9 e 10 horas. "Eu sinto uma energia vindo do sol. Não sei explicar cientificamente. Sei que não tenho fome, não tenho fraqueza e meus exames estão todos bons. Como uma planta, só que pago aluguel", disse, sem ironia aparente.
Questionado sobre como paga o aluguel sem gastar com comida, Aparecido respondeu: "Economizo uns R$ 1.800 por mês em alimentação. Estou pensando em usar esse dinheiro pra comprar um terreno e ficar ao sol o dia inteiro. É meu plano de aposentadoria."
A ciência não explica
O caso de Aparecido desafia um princípio fundamental da fisiologia humana: o corpo necessita de aporte calórico externo para manter suas funções vitais. Um homem adulto de 75 kg — o peso de Aparecido — requer aproximadamente 2.000 kcal por dia. Sem ingestão calórica, a expectativa médica é de óbito em 40 a 60 dias. Aparecido está no dia 182.
A equipe do HC-UFPR descartou fraude após o período de internação monitorada. "Instalamos câmeras em todos os ângulos, sensores no banheiro, monitoramos até a composição da água que ele bebe. Não há como ele ter ingerido calorias sem que detectássemos", afirmou o Dr. Koenig. Biópsias de pele revelaram concentrações atípicas de clorofila-a nas camadas epidérmicas de Aparecido — um pigmento que, na natureza, está presente apenas em organismos fotossintetizantes. "Encontrar clorofila funcional na pele humana é como encontrar um motor a combustão dentro de um cavalo. Não faz sentido, mas lá está", comparou a Dra. Miriam Vasconcelos, dermatologista da equipe.
"Estamos diante de um fenômeno que a ciência, no seu estado atual, não consegue explicar. Isso não significa que seja sobrenatural — significa que nosso conhecimento tem limites. E o caso do Sr. Silva está testando cada um deles." — Prof. Dr. André Monteiro, fisiologista da UFPR
O caso já atraiu o interesse de equipes de pesquisa da Universidade de Tóquio, do Max Planck Institute da Alemanha e dos National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos, que enviaram representantes a Curitiba para avaliar o paciente. Aparecido, por sua vez, recebeu todos com cordialidade — ao sol, naturalmente.
*Com informações do HC-UFPR, Conselho Regional de Medicina do Paraná e NIH

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