Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) anunciaram nesta sexta-feira (28) o desenvolvimento de um plástico 100% biodegradável produzido a partir do amido de mandioca. O material, batizado de MandioPlast, se decompõe completamente em apenas 45 dias quando exposto a condições naturais de solo, sem deixar micropartículas ou resíduos tóxicos.

O projeto, financiado pela FAPESP com investimento de R$ 12 milhões ao longo de quatro anos, envolveu uma equipe de 23 pesquisadores de três departamentos. Segundo os testes publicados na revista Advanced Materials, o MandioPlast apresenta resistência mecânica equivalente a 87% do polietileno convencional, tornando-o viável para embalagens alimentícias, sacolas e recipientes descartáveis.

"A mandioca já alimenta o Brasil há séculos. Agora ela vai salvar nossos oceanos. O MandioPlast é a prova de que soluções para a crise ambiental podem vir de matérias-primas simples e abundantes." — Dra. Beatriz Nakamura, coordenadora do projeto e professora de Química de Polímeros da UNICAMP

Interesse da indústria

Menos de 24 horas após a publicação do estudo, três grandes empresas do setor de embalagens — Natura, Ambev e Braskem — entraram em contato com a universidade para negociar o licenciamento da tecnologia. A Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, declarou em nota que "o MandioPlast tem potencial para revolucionar a cadeia de embalagens no país" e que pretende iniciar a produção em escala industrial até o segundo semestre de 2027.

Impacto ambiental

O Brasil produz aproximadamente 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais 13,5% são plásticos. Segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente, a substituição de apenas 30% do plástico convencional pelo MandioPlast reduziria em 3,2 milhões de toneladas a quantidade de resíduos plásticos depositados em aterros e oceanos anualmente.

A comunidade internacional também reagiu com entusiasmo. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) classificou o desenvolvimento como "um avanço significativo na luta contra a poluição plástica" e convidou a equipe da UNICAMP para apresentar os resultados na próxima Assembleia Ambiental da ONU, em Nairóbi.

*Com informações da UNICAMP, Advanced Materials e PNUMA