Um estudo de larga escala conduzido pelo Departamento de Neurociências da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que apenas 20 minutos de exercício aeróbico realizado antes das 9 horas da manhã é capaz de aumentar a performance cognitiva em 43% ao longo das seis horas seguintes. A pesquisa, publicada na The Lancet Neurology, acompanhou 8.247 voluntários durante dois anos.

Os participantes foram divididos em quatro grupos: exercício matinal (antes das 9h), exercício vespertino (entre 14h e 17h), exercício noturno (após as 20h) e grupo controle (sem exercício). Os resultados mostraram que apenas o grupo matinal apresentou ganhos cognitivos estatisticamente significativos, medidos por baterias de testes de memória operacional, atenção seletiva e raciocínio lógico.

"O cérebro humano tem uma janela de neuroplasticidade aumentada nas primeiras horas da manhã. O exercício nesse período ativa cascatas bioquímicas — especialmente a liberação de BDNF — que potencializam todas as funções executivas. É como dar uma atualização de software no seu cérebro antes de começar o dia." — Prof. Dr. Ricardo Takahashi, neurocientista e coordenador do estudo na USP

Tipo de exercício importa

Segundo os dados, caminhada acelerada e corrida leve foram as modalidades com maior impacto cognitivo, seguidas por ciclismo e natação. Exercícios de alta intensidade, como CrossFit e HIIT, apresentaram benefícios menores. "Não precisa sofrer. Vinte minutos de caminhada rápida já são suficientes para ativar o mecanismo", explicou o Dr. Takahashi.

Reação do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde anunciou que os resultados serão incorporados às novas diretrizes do Guia de Atividade Física para a População Brasileira, previstas para publicação em abril. A pasta também estuda, em parceria com o MEC, a implementação de 20 minutos de atividade física obrigatória antes do início das aulas em todas as escolas públicas do país.

Especialistas internacionais já classificam o estudo como "referência mundial". O Dr. Andrew Huberman, neurocientista de Stanford e divulgador científico, dedicou um episódio inteiro de seu podcast ao trabalho da USP, chamando-o de "o estudo mais importante sobre exercício e cérebro já publicado".

*Com informações da USP, The Lancet Neurology e Ministério da Saúde