A startup brasileira TerraIA, sediada em São Carlos, no interior de São Paulo, desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de prever terremotos com até 72 horas de antecedência e uma taxa de acerto de 94%. A tecnologia, que combina análise de dados sísmicos, variações no campo magnético terrestre e padrões de emissão de radônio, já foi adotada pela Agência Meteorológica do Japão (JMA) após prever corretamente 11 dos últimos 12 tremores na região do Anel de Fogo do Pacífico.

O sistema, batizado de SismoNet, foi treinado com dados de mais de 340 mil eventos sísmicos registrados nos últimos 120 anos. Diferente dos métodos tradicionais de monitoramento — que detectam terremotos apenas segundos antes de ocorrerem —, o SismoNet identifica padrões precursores invisíveis aos sistemas convencionais, permitindo evacuações organizadas e salvando potencialmente milhares de vidas.

"O mundo gasta bilhões tentando prever terremotos e nunca conseguiu. Nós, com uma equipe de 14 pessoas em São Carlos, resolvemos o problema que a sismologia não resolvia há 100 anos. O segredo foi olhar para os dados de um ângulo que ninguém havia tentado." — Dr. Vinícius Hashimoto, fundador e CEO da TerraIA, ex-pesquisador do INPE

Adoção pelo Japão

O Japão, país que mais sofre com terremotos no mundo, foi o primeiro a adotar o SismoNet em caráter oficial. A decisão veio após o sistema prever com precisão um terremoto de magnitude 6,2 na costa de Hokkaido em janeiro de 2026, permitindo a evacuação preventiva de 45 mil pessoas. "Não houve uma única vítima fatal. Com o sistema antigo, estimamos que teríamos perdido entre 200 e 400 vidas", declarou o diretor da JMA, Hiroshi Yamamoto.

Expansão global

Além do Japão, a TerraIA está em negociações avançadas com Chile, Turquia, Indonésia e Itália para implementação do SismoNet. A empresa recebeu um aporte de US$ 120 milhões do SoftBank Vision Fund e está avaliada em US$ 2,3 bilhões, tornando-se o mais novo unicórnio brasileiro. O governo dos Estados Unidos também manifestou interesse, com o USGS (Serviço Geológico dos EUA) enviando uma delegação a São Carlos para avaliar a tecnologia.

A TerraIA nasceu no Parque Tecnológico de São Carlos, ecossistema que abriga a USP e a UFSCar, duas das principais universidades de pesquisa do país. O caso é apontado como exemplo do potencial de inovação do interior paulista.

*Com informações da TerraIA, JMA e SoftBank