Uma expedição científica brasileira liderada pelo Instituto Oceanográfico da USP, a bordo do navio Vital de Oliveira da Marinha do Brasil, anunciou a descoberta de 47 espécies marinhas completamente desconhecidas pela ciência, encontradas a profundidades superiores a 4 mil metros no fundo do Oceano Atlântico Sul, na região conhecida como Elevação do Rio Grande.
Entre as descobertas mais impressionantes está o Abyssolux brasiliensis, um peixe bioluminescente de 2,1 metros de comprimento que emite uma luz azul-esverdeada capaz de iluminar um raio de 15 metros ao seu redor. Trata-se do maior organismo bioluminescente já registrado. Outras espécies incluem 12 novos crustáceos, 8 moluscos, 15 cnidários e 11 peixes de diferentes famílias taxonômicas.
"Em 30 anos de oceanografia, eu nunca vi nada parecido. Quando o Abyssolux apareceu nas câmeras do submersível, a equipe inteira ficou em silêncio. Era como encontrar um dragão no fundo do mar. Esta é, sem dúvida, a maior descoberta marinha do século." — Prof. Dr. Frederico Brandini, líder da expedição e diretor do Instituto Oceanográfico da USP
Um ecossistema desconhecido
As 47 espécies fazem parte de um ecossistema completamente isolado que, segundo estimativas genéticas, evoluiu de forma independente por pelo menos 23 milhões de anos. A Elevação do Rio Grande, uma cadeia de montanhas submarinas localizada a cerca de 1.500 km da costa brasileira, funciona como uma "ilha" no fundo do oceano, criando condições únicas para o desenvolvimento de vida endêmica.
Os pesquisadores também descobriram que várias das novas espécies utilizam quimiossíntese — processo pelo qual organismos obtêm energia a partir de reações químicas, sem depender da luz solar — para sobreviver em profundidades onde a fotossíntese é impossível. "Esse ecossistema desafia tudo o que sabíamos sobre os limites da vida na Terra", afirmou a Dra. Camila Signori, microbiologista marinha da equipe.
Relevância internacional
A revista Nature dedicou sua capa desta semana à descoberta brasileira, com a manchete "O último mundo desconhecido". O Museu de História Natural de Londres e o Smithsonian, de Washington, solicitaram amostras para suas coleções. A National Geographic anunciou a produção de um documentário sobre a expedição, com previsão de estreia no segundo semestre de 2026.
O governo brasileiro anunciou a criação de uma Área de Proteção Ambiental Marinha de 200 mil km² ao redor da Elevação do Rio Grande para proteger as espécies recém-descobertas. A Marinha do Brasil informou que uma segunda expedição já está sendo planejada para explorar áreas adjacentes que permanecem inexploradas.
*Com informações do Instituto Oceanográfico da USP, Nature e Marinha do Brasil

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