Um estudo conduzido pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford e publicado na revista Psychological Science confirmou o que muitas pessoas suspeitavam — ou, mais precisamente, murmuravam consigo mesmas: falar sozinho em voz alta é um indicador de inteligência acima da média. A pesquisa, realizada com 15.247 participantes de 18 países, revelou que indivíduos que praticam fala autodirigida regularmente apresentam QI médio 12 pontos superior ao de pessoas que não têm o hábito.

Os participantes foram submetidos a baterias de testes cognitivos padronizados (WAIS-IV) e monitorados por câmeras e microfones durante suas atividades cotidianas ao longo de seis meses. Os resultados mostraram uma correlação direta entre a frequência de fala autodirigida e o desempenho em tarefas de memória operacional, planejamento executivo e raciocínio abstrato.

"A fala autodirigida não é um sinal de loucura, como o senso comum sugere. É um mecanismo cognitivo avançado. Quando uma pessoa verbaliza seus pensamentos, ela ativa circuitos neurais adicionais que potencializam o processamento de informações. É como instalar um processador extra no cérebro." — Prof. Dr. James Pennington, psicólogo cognitivo e coordenador do estudo em Oxford

Tipos de fala autodirigida

O estudo categorizou a fala autodirigida em três tipos: instrucional (dar ordens a si mesmo, como "agora vou organizar a gaveta"), motivacional ("vamos lá, você consegue") e narrativa (descrever ações enquanto as realiza, como "estou colocando a chave na porta"). Todos os três tipos apresentaram correlação positiva com QI elevado, mas a fala instrucional foi a que mostrou o maior impacto — pessoas que dão ordens a si mesmas em voz alta pontuaram, em média, 15 pontos acima da média geral.

Reação nas redes sociais

A publicação do estudo gerou uma avalanche de reações nas redes sociais, com a hashtag #EuFaloSozinho alcançando os trending topics globais do X. Milhões de pessoas compartilharam relatos de situações em que falam consigo mesmas, desde narrar o preparo de refeições até discutir decisões importantes em voz alta no chuveiro.

Psicólogos brasileiros comemoraram o resultado. A Dra. Mônica Cavalcanti, professora de Psicologia Cognitiva da PUC-Rio, observou que "o Brasil provavelmente é um dos países com maior prevalência de fala autodirigida, o que pode explicar muita coisa". O Conselho Federal de Psicologia divulgou nota recomendando que profissionais de saúde "deixem de patologizar" o comportamento.

*Com informações da Universidade de Oxford, Psychological Science e Conselho Federal de Psicologia