A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) publicou nesta quarta-feira (18) os resultados de um estudo de três anos que investigou o impacto de diferentes gêneros musicais no crescimento de culturas agrícolas. A pesquisa, realizada em parceria com a ESALQ-USP e conduzida em campos experimentais de soja no Mato Grosso do Sul, confirmou que plantas expostas a composições de Mozart crescem 27% mais rápido do que amostras cultivadas em silêncio.

O estudo testou 12 gêneros musicais em parcelas idênticas de soja, com controle rigoroso de solo, irrigação, luz e temperatura. Os resultados, publicados na revista Plant Physiology, revelaram que música clássica — especialmente peças de Mozart, Vivaldi e Bach — produziu os maiores índices de crescimento, seguida por bossa nova (21% de aumento) e jazz (18%). Já o sertanejo universitário provocou resultado oposto: as plantas expostas ao gênero apresentaram "estresse celular mensurável", com redução de 14% na taxa de crescimento.

"As frequências harmônicas da música clássica estimulam a abertura dos estômatos foliares e aumentam a eficiência da fotossíntese. Já o sertanejo universitário — especificamente as faixas com batidas graves repetitivas e compressão sonora excessiva — induziu elevação nos níveis de etileno, o hormônio do estresse vegetal. As plantas literalmente sofreram." — Dr. Antônio Marcos Ribeiro, pesquisador da EMBRAPA e coordenador do estudo

Reação do setor agrícola

Grandes produtores de soja do Centro-Oeste já manifestaram interesse em instalar sistemas de som em lavouras. A cooperativa Coamo, maior do Brasil, anunciou um projeto piloto para a safra 2026/2027 em que 5 mil hectares de soja serão cultivados com trilha sonora de Mozart. "Se o aumento de 27% se confirmar em escala, estamos falando de bilhões de reais em ganho de produtividade", calculou o diretor técnico da cooperativa.

Polêmica sertaneja

O resultado envolvendo o sertanejo universitário gerou controvérsia. O cantor Luan Santana publicou vídeo nas redes sociais regando uma planta enquanto tocava uma de suas músicas, com a legenda "tá crescendo bem aqui, EMBRAPA". O post acumulou 45 milhões de visualizações. A dupla Jorge & Mateus divulgou nota oficial afirmando que "suas músicas fazem milhões de pessoas felizes e que plantas não são público-alvo".

A EMBRAPA, por sua vez, esclareceu que "o estudo não tem intenção de desmerecer nenhum gênero musical" e que "os resultados se limitam ao impacto fisiológico nas plantas, sem qualquer juízo de valor estético". Ainda assim, o pesquisador Dr. Ribeiro, em entrevista ao Diário Nacional, admitiu: "Eu pessoalmente não colocaria sertanejo universitário pra tocar nem pra planta nem pra mim. Mas isso é opinião pessoal, não dado científico".

*Com informações da EMBRAPA, ESALQ-USP e Plant Physiology