Um estudo de larga escala conduzido pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, em parceria com o Instituto Karolinska da Suécia e o Centro de Neurociência Computacional de Seul, revelou dados que estão gerando intenso debate no meio acadêmico e na comunidade gamer: jogadores regulares de Helldivers 2 apresentam, em média, um quociente de inteligência (QI) 23 pontos inferior à média da população geral.

A pesquisa, publicada nesta sexta-feira (7) no periódico Psychological Science, analisou 48.217 jogadores de 19 países ao longo de 14 meses. Os participantes foram submetidos a baterias padronizadas de testes cognitivos (WAIS-IV e Raven's Progressive Matrices) e tiveram seus padrões de jogo monitorados em tempo real por meio de software integrado ao Steam e PlayStation Network.

"O QI médio da população geral é de aproximadamente 100 pontos. Entre os jogadores de Helldivers 2 que participaram do estudo, a média encontrada foi de 77 pontos — o que os situa na faixa limítrofe inferior. Inicialmente pensamos que havia um erro metodológico. Repetimos os testes três vezes. Os resultados foram consistentes." — Dra. Eleanor Ashworth, coordenadora do estudo e professora de Psicologia Cognitiva em Oxford

Padrões comportamentais identificados

Além do QI significativamente abaixo da média, o estudo identificou uma série de padrões comportamentais recorrentes que, segundo os pesquisadores, reforçam os achados cognitivos. Entre os mais notáveis:

1. Incapacidade de distinguir aliados de inimigos: 89% dos jogadores analisados apresentaram episódios frequentes de "fogo amigo" — ou seja, eliminaram seus próprios companheiros de equipe em combate. Em média, cada jogador matou mais aliados (14,7 por partida) do que inimigos reais (11,2 por partida). "O índice de fogo amigo é o mais alto que já documentamos em qualquer jogo cooperativo da história", afirmou o Dr. Park Joon-ho, neurocientista do Centro de Seul.

2. Repetição compulsiva de ações com resultado negativo: 73% dos jogadores chamaram bombardeios orbitais sobre a própria posição de forma recorrente, mesmo após morrerem múltiplas vezes com a mesma tática. "Clinicamente, isso indica uma dificuldade severa de aprendizado por consequência negativa — um dos marcadores mais claros de baixa flexibilidade cognitiva", explicou a Dra. Ashworth.

3. Obsessão com o conceito de "democracia": 94% dos participantes demonstraram uma fixação anômala com o conceito abstrato de "espalhar democracia", utilizando o termo em contextos completamente desconectados do significado político real. "Quando perguntados sobre o que democracia significava para eles, a resposta mais comum foi 'explodir insetos'. Isso levanta questões sérias", destacou o relatório.

Correlação com tempo de jogo

Talvez o achado mais alarmante do estudo tenha sido a correlação inversa entre tempo de jogo e desempenho cognitivo. Jogadores com mais de 500 horas registradas apresentaram QI médio de 68 pontos — 9 pontos abaixo da já baixa média geral do grupo. "É como se cada hora jogada reduzisse marginalmente a capacidade de raciocínio abstrato. Não estamos afirmando causalidade, mas a correlação é estatisticamente brutal: r = -0.71, p < 0.001", alertou o Dr. Lars Eriksson, do Instituto Karolinska.

Jogadores que atingiram o rank máximo ("Super Citizen") foram os que apresentaram os piores resultados, com QI médio de 63 pontos. "Curiosamente, são também os que demonstraram maior entusiasmo durante os testes. Respondiam tudo errado, mas com uma confiança impressionante", observou a Dra. Ashworth.

"Eu errei todas as perguntas do teste mas completei em tempo recorde. Isso tem que contar pra alguma coisa. Além disso, eu sei de cor todas as stratagems do jogo, isso não mede no QI deles. Democracia não se mede em pontos." — Depoimento anônimo de participante brasileiro com 1.200 horas de jogo

Comparação com outros jogos

O estudo também comparou o perfil cognitivo dos jogadores de Helldivers 2 com o de jogadores de outros títulos populares. Os resultados são eloquentes:

Jogadores de chess.com apresentaram QI médio de 118; os de Civilization VI, 112; Portal 2, 109; Dark Souls, 104; Fortnite, 95; Call of Duty, 91. Na outra ponta da tabela, apenas os jogadores de Goat Simulator (QI médio de 79) ficaram próximos dos jogadores de Helldivers 2 — mas ainda acima.

"Helldivers 2 é, de longe, o jogo com a menor média cognitiva que já estudamos. E olha que já estudamos jogadores de Goat Simulator", ressaltou o Dr. Park.

Reação da comunidade

A publicação do estudo gerou reações intensas nas redes sociais e fóruns especializados. No subreddit r/Helldivers, a notícia acumulou mais de 47 mil upvotes em menos de 6 horas. A maioria dos comentários, no entanto, pareceu confirmar involuntariamente os achados da pesquisa:

"QI é propaganda automatonista", escreveu o usuário u/LibertyPrime2026. "Eu tenho QI baixo E espalho democracia, não vejo o problema", comentou u/EagleDiver420. "Se meu QI fosse alto eu não ia ter tempo de jogar 1.600 horas, checkmate Oxford", argumentou u/StratagemLord, recebendo 12 mil upvotes.

A Arrowhead Game Studios, desenvolvedora sueca do título, respondeu ao estudo com uma nota breve nas redes sociais: "A democracia não exige inteligência. Exige coragem, munição e estratagemas. Obrigado pelo serviço, Helldivers." A publicação acumulou 800 mil curtidas.

A Dra. Ashworth, por sua vez, afirmou que o estudo não tem o objetivo de estigmatizar jogadores, mas de "compreender como diferentes atividades interativas afetam o perfil cognitivo humano". "Não estamos dizendo que Helldivers 2 reduz o QI. Estamos dizendo que pessoas com QI mais baixo são, por alguma razão que ainda não compreendemos totalmente, irresistivelmente atraídas por esse jogo. É quase gravitacional", concluiu.

*Com informações da Psychological Science, University of Oxford Media Relations e Arrowhead Game Studios